Compatibilizar o mundo interior com o mundo exterior é a proposta desse novo milênio. Heráclito (c.544-c.480a.C), filósofo grego, disse que o Universo é uma mutação constante na qual se equilibram os contrários, e que a harmonia dos contrários é a razão universal que rege os planos cósmico e humano. Como o nosso meio ambiente é o cosmos, a vida na Mãe Terra e o Universo interagem e formam um circuito sagrado de vibrações e ressonâncias que dinamiza e recria a existência.

A vida se manifesta pelo atrito e a crise acrisola e separa as impurezas. Atualmente, estamos no crisol e em pleno processo de purificação. Depois de passarmos pela revolução filosófica, tecnológica e científica, estamos vivendo uma revolução ética e espiritual. É a revolução do despertar de uma ética diferenciada, cujos valores se enraízam no espírito e brotam na consciência, inspirando ações que transformarão o paradigma central do mundo moderno.

Para viver esses valores, precisamos reaprender como entrar em contato com nossa interioridade, de modo a favorecer renovação pessoal e social. No nosso modelo pós-moderno tecnológico, mecanicista e imediatista, andamos por descaminhos que nos levaram a extrair tanto da vida que a empobrecemos. Espoliamos a natureza, desvendamos segredos da matéria, mas nos esquecemos de ser felizes. Em decorrência disso, sonhamos menos e nos preocupamos mais.

As conquistas tecnológicas e científicas facilitaram as operações práticas, encurtaram distâncias e prolongaram o tempo útil de vida. Porém, nos afastamos da sabedoria e da sutileza do espírito que nos permite transcender e descortinar horizontes mais amplos. Nunca precisamos tanto descobrir novos significados para o que fazemos e qual o sentido de estar vivo. Temos urgência de reaprender a amar, de pôr a criatividade a serviço do Bem, da beleza, da brandura, da solidariedade e pureza de caráter.
Este livro indica caminhos, pelos diálogos que abordam as diversas áreas do conhecimento, à importância de reavaliar posicionamentos diante das rápidas e irreversíveis mudanças no mundo.

O autor aborda a integração do conhecimento e a prática dos valores humanos como ponto de partida para mudanças exponenciais na nossa percepção e comportamento diante da vida.

Paulo Henrique Rathunde assumiu as rédeas do próprio futuro com carinhos de artesão e sugere uma reprogramação de prioridades pessoais e administrativas tendo como eixo os princípios universais que fundamentam o caráter humano.

Certamente, a partir daí, surgirá um relacionamento mais profundo entre as pessoas e no ambiente de trabalho tudo será mais fluido e bem-sucedido. A qualidade da produção é otimizada quando a leveza e a alegria aproximam as pessoas. As tarefas são sentidas como etapas de um sonho partilhado e a competência de lidar com conflitos e com o imprevisível faz que o desconhecido se torne uma nova realidade.

Como a educação iluminista fragmentou o conhecimento e separou tecnologia de filosofia, razão de sentimento e o espírito do mundo, não somos educados, porém treinados, para seguir alimentando um padrão separatista e individualista voltado para a aquisição de habilidades sem considerar o amor pelo trabalho que se faz. A vocação – o chamado interior – quando acontece, envolve o coração e na escolha da profissão o que menos pesa é o lucro que ela possa oferecer. Toda preocupação com comparação, competição e dinheiro se fundamenta na tentativa de encaixar determinada meta em alguma das escolhas que a família e ou a sociedade já fizeram por nós.

Por isso, quando guiados pela ambição artificial, o objetivo se reduz à fama e ao êxito financeiro. A satisfação e o prazer de servir passam a valer menos. Êxito também foi separado de excelência e plenitude. A excelência só se manifesta quando os indivíduos são vistos como pessoas integrais dotadas de corpo, mente, coração e espírito.

Talvez você tenha dúvidas perturbadoras com relação às abordagens aqui colocadas e considere liderar em valores humanos uma utopia bonita, mas um desafio difícil de aceitar. À medida que você for lendo este livro, adquirirá uma compreensão do quanto esses princípios que estruturam a consciência precisam ser resgatados para que possamos formar lideranças criativas e eficazes, e empresas promotoras de prosperidade e abundância.

O verdadeiro progresso é aquele que passa pelo filtro do coração humano e uma empresa que elege princípios éticos como prioridade prepara os alicerces para transformações profundas na sociedade. Todos nós estamos construindo nosso futuro e temos sobre os ombros uma responsabilidade sem precedentes. Nossas escolhas definirão não apenas o nosso futuro e o dos nossos filhos, mas da espécie humana e do próprio Planeta.
Sejamos artesãos de um mundo melhor e mais feliz.

Marilu Martinelli

 
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