Este texto encontra-se nas primeiras páginas do livro.

Esta obra é um convite para reflexão, acreditando que as verdadeiras transformações sociais e, por efeito, a melhoria das condições de vida no Planeta, podem ocorrer a partir de pequenas mudanças e ações efetivas de cada um, as quais, no conjunto, promovem as mudanças que desejamos.

Foi escrito para pessoas abertas ao questionamento e ao repensar de suas próprias crenças. A proposta não é dar respostas, mas trazer subsídios para que cada um formule as próprias questões, a partir da visão de conceitos científicos, filosóficos e espirituais, atualmente tratados em todo o mundo.

Seu conteúdo traz uma visão otimista sobre as possibilidades de um futuro calcado em valores humanos, em que a ciência, a filosofia, a religião e as artes são vistas no mesmo nível de importância, convivem de forma harmônica e se complementam para levar o homem a um melhor entendimento de si e do cosmos, em direção a uma vida mais digna e feliz.

Diz-se muito que, após termos passado pela era agrícola e industrial, já saímos da era da informação e estamos agora na era da consciência. Mas o que isso significa? Precisamos compreender nossa condição de seres integrais e reconhecer a necessidade de um processo contínuo de autoconhecimento, como atores e portadores da cultura e como exclusivos responsáveis pela nossa vida, pela nossa liberdade e pelo nosso bem-estar.

Precisamos entender nossa condição de unidade social e a interdependência que há em nossas relações com o outro. Precisamos ter consciência da nossa condição ecológica e da interdependência do ser humano com seu meio, bem como da nossa responsabilidade como construtores e construídos. Precisamos compreender nossa condição cosmológica e a interdependência da espécie humana com o Universo e com Deus.

Somos livres à medida que entendemos essas relações de interdependência e assumimos, de forma consciente, o nosso papel nessa grande peça teatral que é a vida. Ser livre, portanto, significa ter condições de criar os próprios compromissos perante a vida e responder por suas conseqüências.

As leis de causa e efeito nos posicionam como responsáveis pelo próprio destino e evidenciam o enorme potencial de transformação que cada um traz em si. Somos, por natureza, agentes de transformação. Porém, é nossa tarefa escolhermos que transformações queremos para o mundo. Assim, nossas ações, paulatinamente, constroem um futuro na direção do inferno ou do paraíso.

O conhecimento nos permite estabelecer objetivos que determinam ações corretas. O agir deve ser subsidiado pelos resultados da ação, considerando não apenas as conseqüências diretas, imediatas, lineares da ação, mas também as conseqüências circulares em decorrência da teia de interdependência. Conscientizar-se desses elementos significa tomar conta do pincel que, aos poucos, produz a obra de arte que cada um quer para o seu futuro.

Entretanto, de nada adianta um bom objetivo se o caminho escolhido não conduz a ele. Ao iniciarmos a caminhada, nossos cantis devem conter os ingredientes que nos levarão ao final vivos, com dignidade e felicidade. Falamos da paz, do amor, da verdade, da não-violência e da ação correta para que a caminhada seja tranqüila e tenhamos sempre a ajuda daqueles que já caminharam um pouco mais, tenhamos a companhia dos entes queridos e possamos ajudar os que necessitam.

Muitas pessoas têm vontade de ajudar, de fazer algo pelo social como voluntárias, mas não conseguem, pois suas vidas são como novelos de lã embaraçados. Precisamos permanentemente ajeitar nossa casa interior para termos equilíbrio e conhecimento de causa. Não se trata de egoísmo, mas de fortalecer as bases para uma ação efetiva.

Trata-se de começar encontrando o fio da meada e, pacientemente, desvendar-se a si mesmo, descobrindo quanto valor existe por detrás da confusão.

Outras pessoas têm sua casa arrumada, mas empenham esforços e energia sobretudo na construção material. São em geral bem-sucedidas, do ponto de vista mais comum de entendimento de sucesso, mas são suscetíveis à infelicidade. Basta uma interrupção prolongada no seu período de trabalho para sentirem-se inúteis, pois, no seu íntimo, sabem que o que fazem não agrega valor, apenas preenche o tempo e a mente.

Portanto, a consciência deste complexo sistema que é a vida nos permite tomar decisões mais acertadas sobre o que seja melhor para nós, como indivíduos, para a humanidade, para o Planeta e para o Universo. Isso é o que significa estarmos na era da consciência. Não é apenas mais um modismo, mas um alerta para assumirmos o nosso papel de maneira efetiva, com liberdade, na construção de um mundo melhor.

Analiso aqui a admirável linha do tempo, construída dia a dia como resultado das ações de cada ser vivo atuando no Planeta. Considero a idéia ampla de vida, não apenas como matéria orgânica, mas como complexo inteligente do Universo. Nesse contexto, o homem, consciente de si, de seu mundo e de sua própria consciência, passa a enxergar-se como agente responsável pelo bem-estar social, sobretudo quando a tecnologia disponível o potencializa para ações transformadoras cada vez mais contundentes.

Sua liberdade, limitada pela percepção de cultura, pela inteligência e contingências, tem os horizontes ampliados pelo autoconhecimento. À medida que reconhecemos as conseqüências das próprias ações e assumimos a responsabilidade como agentes na vida, ampliamos possibilidades de escolhas, portanto, a própria liberdade.

A partir da conscientização da complexidade da vida e de nosso potencial transformador, temos a opção de manter as coisas como estão e de nos deixar levar pelo destino ou utilizar as ferramentas adequadas para promover as necessárias transformações na direção de um futuro melhor.

Para conseguir fazer esta caminhada rumo à realização pessoal, é necessário começar a fazer algumas perguntas para si mesmo. A primeira delas é: quem sou? A segunda, o que quero para a minha vida?. Embora estas perguntas devam incomodar muita gente, as respostas não são, de forma alguma, óbvias nem mesmo fáceis. Mas a análise não pára por aí, pois há mais perguntas: Como realizar os nossos sonhos, as nossas grandes idéias? Como aumentar a probabilidade de dar certo o que estamos pensando? Eis aqui perguntas que afligem a todos nós que temos sonhos e grandes idéias que acabam virando frustrações quando começamos a pensar em transformá-los em realidade. Na prática, as coisas parecem ser sempre mais difíceis do que imaginamos, principalmente quando envolvem outras pessoas e recursos financeiros.

Para auxiliar nestas reflexões, este livro foi estruturado em três partes. Na primeira, a cultura é vista como uma das limitantes da nossa liberdade de ação. Analisamos a evolução do pensamento ocidental nos últimos quinhentos anos, culminando nos mais recentes temas que estão em discussão nos ramos da ciência, da filosofia e da religião.

O leitor também é provocado a fazer reflexões sobre como a cultura pode absorver a nossa atenção, fazendo-nos agir de forma inconsciente, de acordo com os padrões estabelecidos como verdadeiros pela sociedade. Além disso, esta mesma cultura nos conduz à construção de um sistema de crenças que, aos poucos, cria-nos limites intransponíveis. É preciso perceber que esses limites são criados por nós mesmos, configurando-se como os nossos complexos. Portanto, a solução para os nossos problemas nunca será encontrada em qualquer lugar que seja, a não ser no interior de cada um.

Na segunda parte, proponho uma reflexão sobre a nossa própria identidade a ser descoberta, cuidadosamente, como faz um garimpeiro em busca de pedras preciosas. Muito entulho deve ser retirado para alcançarmos nossos verdadeiros valores, o verdadeiro ser que habita em nós.

Neste caminho, buscamos a nossa essência como seres integrais, a compreensão das influências culturais às quais estamos sujeitos e os mecanismos de inter-relacionamento e interdependência que nos ligam ao cosmo. Proponho que a identidade pessoal seja reconhecida na perspectiva da interatividade do eu com o nós, a sociedade, o ambiente e a espiritualidade, partindo do princípio de que é por meio dessas relações que somos capazes de nos conhecer.

Sobre a identidade fortalecida pode-se utilizar estratégias pessoais para a definição de um propósito maior que dê sentido à existência, alimentando sonhos. Chega, então, a hora da realização.

A terceira parte deste livro foi escrita para incentivá-lo e ajudá-lo a construir um plano de projeto atraente, mostrando estratégias que podem ser utilizadas, com o propósito de organizar e estruturar suas idéias e aumentar, assim, a probabilidade de realização de um sonho. Como diz Souza, o primeiro passo para tornar um sonho realidade é transferi-lo para o papel, formalizando um projeto (2000, p. 99).

Ao longo do livro, muitas vezes, a escolha de uma linguagem diagramática tem por objetivo servir como instrumento complementar da leitura, como a síntese esquemática do texto corrido. Cada tópico do texto corresponde a um elemento do diagrama, tornando-se fácil, portanto, estabelecer uma relação. Já lançando mão deste recurso, eis um resumo esquemático da proposta geral deste livro:

Uma outra dica que diz respeito ao formato desta obra é que ela foi escrita em forma de romance. O cenário é a Escola Travessia e a história é vivida por seis alunos, sua orientadora e os diversos professores que compartilham suas aulas durante algumas semanas. Estas aulas trazem fundamentos conceituais baseados na literatura científica e filosófica atual que, portanto, podem ser utilizados como referência bibliográfica para outros trabalhos. Contudo, a história que permeia as aulas ao longo do livro é uma obra de ficção na qual me senti à vontade para inserir propositadamente diálogos sobre temas algumas vezes polêmicos, a fim de fomentar a reflexão dos leitores. Para uma fácil identificação, as aulas e a história foram escritas com fontes de caracteres diferentes.

Este livro é um convite para atuarmos na peça de nossa vida de forma leve, descontraída, divertida, aprendendo e ensinando, amando e sendo amados, num processo em que não há perdedores e, ao final, todos nos aplaudiremos de pé.

Este trabalho explora também a importância de se conquistar um estado de felicidade interior que promova as nossas ações, orientadas pela vontade do espírito, pois, como disse Henfil, “Não existe caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho”.

Artesão, está na hora de começarmos a construir uma nova possibilidade de futuro. Pegue suas ferramentas e boa leitura!

Paulo Rathunde

 
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